<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19714660</id><updated>2011-04-21T19:20:09.348-07:00</updated><title type='text'>articoli dei giornali</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01638656921682080845</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.dropthatsock.com/content/nino.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19714660.post-113413603746428610</id><published>2005-12-09T05:45:00.000-08:00</published><updated>2005-12-09T05:47:17.466-08:00</updated><title type='text'>"Dilemas modernos"</title><content type='html'>por &lt;strong&gt;José Manuel Fernandes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A polémica sobre os aviões da CIA que nos últimos anos passaram por aeroportos europeus é profundamente hipócrita e pode ter graves consequências. &lt;br /&gt;Hipócrita, pois ignora que operações secretas devem ser mantidas secretas (claro que se pode defender que não deviam existir serviços secretos, mas até aí ninguém se atreveu a chegar). Hipócrita, porque contabiliza todos os voos e cria um clima de suspeição onde nada tem de ser provado, apenas insinuado. Hipócrita, porque omite terem alguns serviços secretos europeus colaborado e de eles próprios realizarem operações do mesmo tipo. Hipócrita, por fim, por se basear no pressuposto da ilegitimidade de transportar suspeitos de terrorismo para interrogatório, mas que ignora que é comum, na Europa, a prática da "devolução" de imigrantes ilegais ou de candidatos a asilo político que não são suspeitos de terrorismo, mas são entregues a países onde a tortura é prática corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centrar o debate nos "bons europeus" e nos "malvados americanos" pode contudo ter graves consequências, pois não permite distinguir o essencial - houve ou não recurso sistemático à tortura na luta antiterrorismo? Que métodos de interrogatório são aceitáveis e quais são os inaceitáveis? - do acessório. Por outro lado, apresentar erros aparentemente circunscritos na identificação de suspeitos (fala-se de uma ou duas dezenas em centenas de detenções ou "rendições") como sendo o padrão de actuação pode levar a que as fragilidades da cooperação internacional nesta luta nunca sejam ultrapassadas, pois a suspeição substituirá a confiança e a colaboração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É indiscutível que boa parte do que está a acontecer decorre de políticas erradas e condenáveis dos Estados Unidos. O centro do problema chama-se Guantánamo, onde são mantidas num limbo legal centenas de suspeitos de ligações à Al-Qaeda. E é o centro do problema porque Guantánamo é política oficial nos EUA, ao contrário do que sucedeu em Abu Ghraib, prisão onde os abusos detectados e denunciados foram investigados, tendo os responsáveis pela sua ocorrência - dos soldados à oficial-general que comandava a prisão - sido condenados. Contudo, ambos os nomes são muitas vezes apresentados como sinónimos da mesma política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também se devia reconhecer que, para enfrentar a ameaça colocada por fanáticos que estão dispostos a morrer para matar o maior número possível de inocentes, a par com o difícil e demorado trabalho de infiltração das suas organizações, não haverá resultados se, ao detectar e deter um suspeito, o agente lhe disser - como vemos nos filmes americanos... - que tem o direito de não prestar declarações. Devia também ser assumido que a guerra contra o terrorismo não é uma guerra convencional nem é comparável aos conflitos clássicos, pelo que a comunidade internacional tem de estabelecer novas regras de conduta, moralmente rigorosas mas adaptadas à nova realidade, em vez de procurar, sem sucesso, aplicar as inaplicáveis regras das Convenções de Genebra. Desse ponto de vista, iniciativas como a do senador republicano John McCain, que proíbe a tortura em todas as circunstâncias, dentro e fora da América, devem ser apoiadas contra as resistências de parte da Administração americana, em especial do vice-presidente Dick Cheney. Assim como devem ser apoiadas a declaração de Condoleezza Rice na quarta-feira ou a decisão da Câmara dos Lordes britânica, que negou valor jurídico a uma informação obtida sob tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, isso tem sido ofuscado pelos termos da discussão sobre os "aviões da CIA", agravada pelo comportamento errático de alguns políticos europeus que conheciam as operações e agora gostariam de ser transparentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, 9.12.05&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19714660-113413603746428610?l=articolideigiornali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/feeds/113413603746428610/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19714660&amp;postID=113413603746428610' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113413603746428610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113413603746428610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/2005/12/dilemas-modernos.html' title='&quot;Dilemas modernos&quot;'/><author><name>Nino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01638656921682080845</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.dropthatsock.com/content/nino.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19714660.post-113413590027173562</id><published>2005-12-09T05:41:00.000-08:00</published><updated>2005-12-09T05:45:00.286-08:00</updated><title type='text'>"Delírios de rico em terra de pobres"</title><content type='html'>por &lt;strong&gt;Miguel Sousa Tavares&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Depois da Ota, o TGV. A febre dos "grandes projectos" tomou definitivamente conta do país e traz numa roda-viva de entusiasmo sem limites o Governo, as construtoras e os bancos: o primeiro apresenta "obra" e os outros têm garantidos desde já negócios milionários para a próxima década - desde que, como foram adiantando os nossos empresários, o Governo não se esqueça de, sem violar a legislação concorrencial comunitária, apresentar "regras flexíveis" que permitam às nossas empresas ser parte determinante do negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro que tudo, o que impressiona nisto são os custos. A Ota vai custar, segundo as estimativas do Governo, 3,1 mil milhões de euros, e o TGV Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid 7,6 mil milhões. Se, porém, considerarmos as inevitáveis derrapagens que qualquer, qualquer empreitada pública sempre tem por definição, se considerarmos que o custo público da Ota vai ser sob a forma de venda da ANA ou de abdicação das receitas aeroportuárias por várias décadas, e se levarmos em conta os juros do financiamento bancário, estaremos mais perto da verdade provável se falarmos num custo conjunto nunca inferior a 12 mil milhões de euros. É simplesmente astronómico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, impressiona esta largueza de vistas, sobretudo quando comparada com outros países, bem mais ricos e desenvolvidos, onde não existem estes cíclicos impulsos faraónicos. Pergunto-me como é que um país que tem como dois hospitais centrais principais, nas duas maiores cidades, o S. João no Porto e o S. José em Lisboa - onde parece não haver sequer dinheiro para tampas de retrete nas casas de banho - já fez coisas como Sines, Cabora Bassa, Alqueva, Euro 2004. Tudo investimentos megalómanos, "desígnios nacionais" como lhes chamaram, e "elefantes brancos", como merecem ser chamados. Por que é que a Holanda e a Bélgica, bem mais prósperos que Portugal, organizaram em conjunto o Euro 2000 e apenas precisaram de sete estádios, dos quais dois novos, e nós, organizando sozinhos, precisámos de dez estádios, dos quais oito novos? Por que é que, em vez do grande Alqueva, gigante adormecido e majestático, não se fizeram antes uma série de médias e pequenas barragens que cobrissem todo o Alentejo e Algarve e retivessem toda a água que inutilmente escorre para o mar? Por que é que Málaga tem um aeroporto que actualmente movimenta o mesmo número de passageiros que a Portela mas que cresce o dobro desta anualmente, com apenas uma pista contra as duas da Portela e ocupando 320 hectares contra os 520 da Portela, e só espera rever as suas condições no ano 2020? Por que é que nenhum país do Norte da Europa, e países tão extensos e tão ricos como a Suécia, a Noruega, a Finlândia, sentiu até hoje a necessidade imperiosa de se dotar de um TGV?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinquenta anos depois do mítico "Foguete", equipado com velhas locomotivas Fiat, os moderníssimos Alfa-Pendular demoram somente dez minutos a menos a fazer o Porto-Lisboa. Entretanto, gastaram-se décadas a desmantelar linhas interiores transformando o transporte rodoviário num próspero negócio privado com tremendos custos públicos. Entretanto, gastaram-se 600 milhões de euros para fazer apenas 30 quilómetros de linha compatível com o comboio pomposamente baptizado de pendular, antes de desistir e abandonar o projecto. Entretanto, nada se fez para começar a substituir a linha de bitola ibérica pela de bitola europeia nos percursos internacionais, constituindo, esta sim, a verdadeira causa de marginalidade de Portugal no domínio dos transportes e, uma vez mais, uma excelente oportunidade de negócio para o transporte TIR. Entretanto, dezenas de administrações, raramente nomeadas pela sua competência e antes pela sua dedicação partidária, acumularam prejuízos autenticamente escabrosos na CP, sem que jamais alguém fosse responsabilizado. E agora dizem-nos que tudo se resolve com um TGV para o Porto e outro para Madrid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida que é urgente uma ligação ferroviária Lisboa-Porto em tempo compatível com os dias de hoje, quanto mais não seja para pôr fim à situação de oligopólio concertado que faz da ligação aérea entre estas duas cidades talvez a milha aérea mais cara do mundo. A questão está em saber se, em lugar da Alta Velocidade (AV), cuja construção tem custos assustadores, incluindo até a construção de duas novas pontes sobre o Tejo, não seria suficiente e mais à medida das nossas necessidades e possibilidades a construção de uma linha de Velocidade Elevada (EV), que tem custos incomparavelmente mais baixos e que, no final, gastaria apenas cerca de 25-35 minutos a mais do que os 75 minutos previstos na ligação em AV. Será mesmo imperioso passarmos directamente do oito para o oitenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já quanto ao TGV para Madrid, façam por esquecer toda a propaganda associada: trata-se simplesmente de uma imposição de Madrid, que assim, tal como já sucedeu com a A6, coloca cá, mais depressa e mais baratos, os produtos que esmagam a nossa insípida concorrência. É um TGV para servir Madrid e a única boa notícia, entre os planos divulgados pelo Governo, é que ao menos houve o bom senso de congelar, espera-se que definitivamente, os projectos liquidatários de levar a nossa submissão ao ponto de construir também as linhas Porto-Vigo, Aveiro-Salamanca e Faro-Huelva, que, num acesso de diplomacia "construtiva", Durão Barroso se tinha comprometido com Aznar a levar por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esquema do Governo é este: a UE pagará entre 20 a 30 por cento dos custos de construção do TGV - os tais 7,6 mil milhões, com a nova ponte Chelas-Barreiro. O resto ficará por conta dos contribuintes portugueses e representa um custo não amortizável em vida das próximas gerações. Aliás, nem há, tecnicamente, forma de o amortizar, visto que os lucros da exploração das linhas ficarão para os privados, em troca da aquisição dos próprios comboios. O Lisboa-Porto é um negócio de lucro garantido à partida: com uma duração de 75 minutos entre as duas cidades, só um idiota é que se lembrará de ir de comboio ou de carro. Mais incerto é o negócio Lisboa-Madrid. Para atrair os privados, o Governo estima que haja anualmente cinco milhões de passageiros a circular no TGV de e para Madrid. O número parece, desde logo, absurdo: haverá mesmo 13.700 passageiros por dia a viajar entre Madrid e Lisboa de comboio? Se considerarmos que as estatísticas europeias revelam que o TGV entre duas cidades absorve em média metade de todo o tráfego de passageiros existente no total dos meios de transporte, isso implica a existência de mais de 27 mil pessoas a viajar diariamente entre as duas cidades. Alguém acredita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, é interessante comparar aqui os números da propaganda do Governo ao TGV com as da propaganda à Ota. Porque a ideia que fica é que estamos perante o clássico dilema do cobertor que ou destapa a cabeça ou destapa os pés. Se, na propaganda do TGV, se sustenta que haverá anualmente cinco milhões de utentes da linha Lisboa-Madrid, é forçoso concluir que o Governo, e logicamente, está a prever que essa ligação "seque" por completo as alternativas aérea e rodoviária. Ou seja, a esmagadora maioria dos passageiros entre as duas cidades optará pelo TGV. Logo, esses cinco milhões devem ser abatidos ao "congestionamento" imaginado para a Portela. E aos cinco milhões devemos acrescentar os 555 mil que actualmente voam entre o Porto e Lisboa. Somando uns e outros, temos que metade do actual trânsito da Portela (dez milhões e meio por ano) desapareceria automaticamente assim que o TGV entrasse ao serviço nas duas ligações. Conclusão: ou o TGV para Madrid assenta em previsões delirantes, que o tornam inútil, ou a Portela não está em vias de ficar saturada e inútil é a Ota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria bom que fizessem essa continhas mais bem feitas antes de nos apresentarem a factura a pagamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Público, 9.12.05&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19714660-113413590027173562?l=articolideigiornali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/feeds/113413590027173562/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19714660&amp;postID=113413590027173562' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113413590027173562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113413590027173562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/2005/12/delrios-de-rico-em-terra-de-pobres.html' title='&quot;Delírios de rico em terra de pobres&quot;'/><author><name>Nino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01638656921682080845</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.dropthatsock.com/content/nino.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19714660.post-113411866801835979</id><published>2005-12-09T00:56:00.000-08:00</published><updated>2005-12-09T00:58:48.380-08:00</updated><title type='text'>"Muito inteligente"</title><content type='html'>por &lt;strong&gt;Vasco Pulido Valente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Pouco a pouco, a língua da política acabou por se tornar numa "língua de pau". Basta reparar, por exemplo, nesta campanha: com a possível excepção Soares, só se ouvem fórmulas sobre fórmulas, que há muito tempo perderam qualquer espécie de significado ou valor evocativo. O jornalismo comenta essas fórmulas com outras fórmulas, se possível mais pobres, mais rígidas, mais previsíveis. Na televisão, além disto, a impropriedade e a asneira fervem. E na televisão por cabo, em muitos casos, já não se usa mesmo o português. Quem recebe relatórios de organismos do Estado, ou de uma empresa (de um banco, por exemplo), ou de um médico, está habituado às contorções que os peritos precisam para dizer a coisa mais trivial e óbvia. E não vale a pena insistir no e-mail ou nas mensagens SMS, que raramente excedem a comunicação do primata inferior. Chegámos, como povo falante, muito próximo do grunhido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responsável por uma perversão que se tornou célebre sob o nome de "eduquês", contra a qual até o dr. Grilo se julgou no dever de protestar, o ministério da Educação achou agora conveniente eliminar, suponho que para animar a iliteracia indígena, as provas de português no 12.º ano. O pessoal superior do Ministério da Educação e a sra. ministra, que seriam incapazes de contar, como constantemente o provam, a história do Capuchinho Vermelho em 70 palavras, não vêem a menor vantagem na capacidade de escrever com lucidez, precisão e brevidade. Provavelmente pensam que o telemóvel basta às crianças meio mentecaptas, que saem do secundário. Uma convicção quase com certeza de experiência feita, que o Governo partilha. O analfabetismo protege sempre o analfabetismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o deputado (e poeta) Manuel Alegre promete um "Laboratório (?) da Língua Portuguesa" e o dr. Cavaco puxa pela sua qualidade de "incentivador da Língua Portuguesa" ("incentivador", calculem) e proclama a sua fé na virtude persuasiva do verbo. Não entrou evidentemente naquelas cabeças que, por falta de vocabulário e de compreensão sintáctica, não tarda muito ninguém conseguirá ler ou perceber português. Nem sequer um jornal. Quanto mais Garrett, Camilo, Eça ou Pessoa. A "defesa da língua" serve para propaganda eleitoral (capítulo: política externa). Mas não interessa ao Ministério da Educação. O ministério julga favorecer a ciência e a técnica, transformando Portugal num país de alarves. Muito boa ideia. E muito inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19714660-113411866801835979?l=articolideigiornali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/feeds/113411866801835979/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19714660&amp;postID=113411866801835979' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113411866801835979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113411866801835979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/2005/12/muito-inteligente.html' title='&quot;Muito inteligente&quot;'/><author><name>Nino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01638656921682080845</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.dropthatsock.com/content/nino.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19714660.post-113411840641579534</id><published>2005-12-09T00:51:00.000-08:00</published><updated>2005-12-09T00:55:37.760-08:00</updated><title type='text'>"Laicidade e liberdade religiosa"</title><content type='html'>por &lt;strong&gt;Esther Mucznik&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A recente polémica sobre os crucifixos nas escolas levanta uma questão interessante: por que razão não se ouve uma única voz representativa das confissões não católicas no coro exigindo a retirada desses símbolos? Será por medo? Pelo hábito ancestral do silêncio? Por solidariedade institucional? Ou será porque estão de acordo com a presença desses símbolos religiosos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem obviamente pretender falar em nome de ninguém, acho que não é por nenhuma destas razões. Mais simplesmente eu diria que o "combate" de uma associação como a Associação República e Laicidade - que denunciou a existência de crucifixos em determinadas escolas - não é o mesmo do das confissões não católicas, que na sua maioria não se revêem no "militantismo" laico que se dedica a esquadrinhar o país à caça de símbolos católicos para os erradicar do espaço público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de dizer com toda a clareza que, de uma forma geral, não sou favorável à proliferação desses ou de outros símbolos religiosos nos edifícios públicos. Liberdade religiosa e liberdade de manifestação religiosa nem sempre coincidem e há momentos em que determinadas manifestações religiosas podem colidir com a liberdade religiosa alheia. Mas não faço disto uma questão principal e decisiva e acredito que, mais do que a legislação, é o bom senso que deve prevalecer, equilibrando sem dramas as regras decorrentes do estatuto de Estado não confessional, por um lado, o costume e as tradições, por outro. Se o consenso de pais e alunos de uma determinada escola for no sentido de porem o crucifixo, sinceramente não vejo qualquer problema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não vejo qualquer problema porque, contrariamente à postura dos "laicistas", acredito que a liberdade religiosa não tem um conteúdo essencialmente negativo, mas sim positivo: possibilidade de expressão, de associação, de ensino, de visibilidade, de diálogo e reconhecimento público e institucional. Estas sim, são de facto questões decisivas, não negociáveis, da liberdade religiosa, e que não se obtêm através da erradicação da religião majoritária. Esta é uma visão negativa da liberdade religiosa que entretém a ilusão de que a liberdade de uns se faz à custa da liberdade dos outros. A história da humanidade já mostrou sobejamente as consequências trágicas dessa visão que no limite é uma visão revanchista e totalitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na raiz da argumentação "laicista" estão dois erros de base: o primeiro é o que identifica a laicidade com a não confessionalidade do Estado; o segundo é o que considera que a não confessionalidade do Estado é condição indispensável da liberdade religiosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, a laicidade, ou melhor, a laicização - palavra que traduz melhor a ideia de um processo em movimento -, é uma marca comum a todas as sociedades democráticas: significa a autonomização da sociedade em relação à religião, processo através do qual a religião deixa de estruturar a organização social e legal. As diferentes instituições religiosas podem fazer campanha em defesa dos seus valores e ideias, mas não têm força legal para os impor. O recente combate da Igreja Católica, em Espanha, contra os casamentos homossexuais é disso um claro exemplo. Nos países predominantemente católicos, marcados pelo conflito entre o Estado e a Igreja, a laicização foi normalmente imposta por cima, a partir do Estado; nos países protestantes, onde as igrejas conheceram uma mutação interna profunda, a autonomização da sociedade em relação à religião partiu de baixo, da própria sociedade civil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a laicização tomou e toma formas diferentes em cada país, em função da sua história e cultura, e não se confunde com a não confessionalidade do Estado. Enquanto hoje, países como a Espanha, Itália e Portugal têm um estatuto de separação com cooperação com as diferentes confissões e a França de separação sem cooperação, a Inglaterra e a Dinamarca são Estados confessionais, nos quais a Igreja tem um estatuto nacional; no primeiro caso, o monarca tem de pertencer à Igreja Anglicana e na Câmara dos Lordes têm assento bispos e arcebispos; na Dinamarca, a constituição afirma que "a Igreja Evangélica Luterana é a Igreja nacional dinamarquesa...". Por seu turno, a constituição grega consagra a Igreja Ortodoxa Oriental como "religião dominante"; na Irlanda e na Polónia invoca-se "a Santa Trindade"; e a Constituição alemã declara o povo "consciente da sua responsabilidade perante Deus".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que esta realidade nega, nos países acima citados, a autonomia do Estado de direito em relação à religião? Não só não a nega, como impera em todos estes países a diversidade e a liberdade religiosa. Cai, pois, por terra a ideia bem arreigada entre nós de que a não confessionalidade do Estado é condição de liberdade religiosa, ideia essa construída a partir da generalização da nossa própria experiência e sobretudo da radicalidade da experiência francesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra ideia generalizada é que a autonomia da religião em relação ao Estado obriga a banir Deus do espaço público. A América é a ilustração mais evidente da negação desta ideia: dotada de um sistema de clara separação entre o Estado e a Igreja, a religião tem no entanto uma forte presença não só na sociedade, mas nos próprios actos públicos. De maneira diferente, a Alemanha é outro exemplo disso: ainda muito recentemente, ao nomear formalmente Angela Merkel chanceler, o Presidente da República desejou-lhe "muito êxito, muita força e a bênção de Deus", tendo Merkel respondido com a fórmula prevista na Constituição "Assim Deus me ajude." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, isto seria considerado uma ofensa à laicidade e uma "beatice". Podemos entender esta perspectiva do ponto de vista histórico, mas, em minha opinião, isto revela uma visão errada da laicidade, entendida não como a condição de liberdade religiosa, mas como a condição da erradicação da religião. É que apesar das juras em contrário, esta continua a ser encarada por muitos como "o ópio do povo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19714660-113411840641579534?l=articolideigiornali.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/feeds/113411840641579534/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19714660&amp;postID=113411840641579534' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113411840641579534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19714660/posts/default/113411840641579534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://articolideigiornali.blogspot.com/2005/12/laicidade-e-liberdade-religiosa.html' title='&quot;Laicidade e liberdade religiosa&quot;'/><author><name>Nino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01638656921682080845</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.dropthatsock.com/content/nino.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
